Diretrizes e Conselhos para Autores
Revista Entreparágrafos
A Revista Entreparágrafos publica ensaios, análises e reflexões críticas voltadas ao debate público qualificado nas áreas de sociedade, política, cultura, ciência e pensamento contemporâneo. Este documento estabelece orientações técnicas e editoriais destinadas a auxiliar autores na elaboração de textos claros, rigorosos e intelectualmente consistentes.
O objetivo destas diretrizes é elevar o padrão de qualidade das submissões, prevenindo problemas recorrentes de escrita, argumentação e organização textual.
NATUREZA DOS TEXTOS
A revista publica textos de caráter ensaístico e analítico. Espera-se que o autor apresente uma reflexão estruturada, capaz de interpretar fenômenos sociais, discutir ideias ou analisar problemas contemporâneos de maneira crítica e fundamentada.
Não se trata de um espaço para manifestações meramente opinativas, comentários superficiais ou textos de natureza panfletária.
Um bom texto ensaístico responde, de maneira clara, a três perguntas fundamentais:
- Qual é o problema ou tema analisado?
- Qual é a tese ou posição defendida pelo autor?
- Quais argumentos sustentam essa posição?
Quando essas três dimensões estão claras, o texto tende a ganhar densidade intelectual e consistência.
ESTRUTURA DO TEXTO
Embora a revista não exija divisão rígida em seções, recomenda-se que o texto apresente uma organização argumentativa clara.
Em geral, um ensaio bem estruturado contém:
- Introdução — apresentação do tema, delimitação do problema e indicação da tese ou questão central.
- Desenvolvimento — exposição dos argumentos, análise crítica e articulação das ideias que sustentam a reflexão proposta.
- Conclusão — síntese da discussão e indicação das implicações ou desdobramentos da análise.
Textos que iniciam abruptamente sem contextualizar o problema ou que terminam sem apresentar conclusão tendem a causar impressão de incompletude.
CLAREZA E PRECISÃO DA LINGUAGEM
A revista privilegia textos escritos em linguagem clara, direta e intelectualmente precisa.
Autores devem evitar:
- frases excessivamente longas;
- vocabulário artificialmente sofisticado;
- construções sintáticas desnecessariamente complexas;
- termos vagos ou indeterminados.
Um texto claro não significa um texto simplista. Pelo contrário: clareza costuma ser sinal de domínio do argumento.
Exemplo inadequado:
“A problemática contemporânea se articula em torno de um conjunto multifacetado de tensões
epistemológicas.”
Formulação mais clara:
“A sociedade contemporânea enfrenta conflitos complexos que exigem análise cuidadosa.”
EVITAR JARGÃO ACADÊMICO
O uso de jargão técnico deve ser limitado ao estritamente necessário.
Expressões frequentemente empregadas como ornamento retórico — e que pouco acrescentam ao argumento — devem ser evitadas. Entre elas:
- “no âmbito de”
- “faz-se necessário”
- “no bojo da problemática”
- “em termos de uma perspectiva analítica”
Sempre que possível, prefira formulações diretas e inteligíveis.
COERÊNCIA ARGUMENTATIVA
Um texto forte apresenta unidade temática e progressão lógica.
Erros comuns incluem:
- introduzir temas que não se conectam ao argumento central;
- mudar de assunto abruptamente;
- repetir ideias já apresentadas sem acrescentar novos elementos.
Uma regra prática consiste em perguntar, ao final de cada parágrafo:
como este trecho contribui para o argumento do texto?
Se a resposta não for evidente, o parágrafo provavelmente precisa ser revisto.
USO ADEQUADO DE REFERÊNCIAS
A menção a autores, teorias ou obras deve ter função argumentativa clara.
Problemas frequentes incluem:
- citar autores apenas para demonstrar erudição;
- acumular referências sem discussão;
- mencionar conceitos teóricos sem explicar seu significado ou relevância.
Referências devem servir ao raciocínio do texto. Elas não substituem o argumento do autor.
GENERALIZAÇÕES E AFIRMAÇÕES CATEGÓRICAS
Afirmações amplas devem ser usadas com cautela. Generalizações sem base empírica ou argumentativa enfraquecem o texto.
Exemplo problemático:
“A sociedade atual não valoriza mais o conhecimento.”
Formulação mais rigorosa:
“Diversos estudos indicam uma queda no interesse por leitura em determinados grupos sociais.”
Quanto mais ampla a afirmação, maior deve ser o cuidado com sua fundamentação.
FALÁCIAS ARGUMENTATIVAS COMUNS
Autores devem evitar argumentos baseados em falhas lógicas. Entre as mais frequentes:
- Espantalho (straw man): Consiste em distorcer a posição de um interlocutor para refutá-la mais facilmente.
- Falso dilema: Apresentar apenas duas alternativas possíveis quando existem outras.
- Generalização apressada: Tirar conclusões amplas a partir de poucos exemplos.
- Apelo à autoridade: Afirmar que algo é verdadeiro apenas porque uma figura intelectual o afirmou.
Referências intelectuais podem fortalecer o argumento, mas não substituem sua demonstração.
EXEMPLOS E EVIDÊNCIAS
Exemplos históricos, acontecimentos contemporâneos ou dados empíricos podem enriquecer a argumentação.
Contudo, o exemplo deve servir para demonstrar algo. Narrativas extensas de acontecimentos sem análise tendem a enfraquecer o texto.
Ao utilizar um exemplo, o autor deve deixar claro o que ele demonstra em relação ao argumento apresentado.
ECONOMIA E PRECISÃO
Textos analíticos tendem a ser mais fortes quando são econômicos.
Problemas recorrentes incluem:
- repetição da mesma ideia em vários parágrafos;
- frases excessivamente ornamentadas;
- parágrafos que não acrescentam conteúdo novo.
A revisão cuidadosa costuma revelar trechos que podem ser condensados ou eliminados sem prejuízo da argumentação.
ADJETIVAÇÃO EXCESSIVA
Adjetivos e advérbios devem ser usados com moderação.
A multiplicação de qualificações retóricas pode dar ao texto aparência de exagero ou fragilidade argumentativa.
Exemplo inadequado:
“Uma decisão absolutamente absurda, completamente irresponsável e profundamente lamentável.”
Em textos analíticos, é preferível explicar por que algo é problemático em vez de apenas qualificá-lo.
REVISÃO DO TEXTO
Antes da submissão, recomenda-se que o autor revise cuidadosamente o manuscrito, verificando:
- ortografia e gramática;
- pontuação;
- concordância verbal e nominal;
- repetição de termos;
- coerência entre frases e parágrafos.
Textos com problemas recorrentes de redação podem ser devolvidos ao autor antes mesmo de entrar no processo de avaliação.
EXTENSÃO DOS TEXTOS
Os textos submetidos à revista devem possuir, em regra, entre 600 e 2.000 palavras.
Exceções podem ser admitidas quando a natureza do ensaio justificar extensão maior.
RESPONSABILIDADE INTELECTUAL
O autor é responsável pelo conteúdo de seu texto.
Afirmações factuais, dados estatísticos, interpretações históricas ou acusações dirigidas a indivíduos ou instituições devem ser formuladas com cautela e, quando necessário, acompanhadas de referência verificável.
A credibilidade de um texto depende diretamente do cuidado intelectual com que suas afirmações são apresentadas.
CONSELHOS FINAIS AOS AUTORES
Antes de submeter um texto, recomenda-se que o autor faça três perguntas simples:
- Qual é exatamente a ideia central do meu texto?
- O leitor consegue identificá-la com clareza?
- Os argumentos apresentados realmente sustentam essa ideia?
Um bom ensaio não é apenas um conjunto de opiniões. É uma reflexão estruturada, conduzida com clareza, rigor e honestidade intelectual.
A Revista Entreparágrafos busca textos que contribuam para o debate público de maneira crítica, consistente e intelectualmente responsável.