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Estamos recebendo textos autorais para a nossa edição de estreia. É estudante, docente, pesquisador ou autor independente e quer fazer parte da Entreparágrafos?

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EntreParágrafos Foto: Lucas Braga

Manifesto

Toda instituição intelectual nasce de uma inquietação simples: a sensação de que o debate público poderia ser melhor do que é.

A Entreparágrafos nasce desse incômodo.

O ambiente universitário produz ideias em abundância. Teses são escritas, pesquisas são desenvolvidas, argumentos são refinados em salas de aula, grupos de estudo e corredores. Ainda assim, boa parte desse pensamento permanece confinada a circuitos muito estreitos: artigos técnicos lidos por poucos, debates limitados a disciplinas específicas, discussões que desaparecem assim que termina o semestre.

Ao mesmo tempo, o espaço público sofre de um problema oposto. Há opinião em excesso e reflexão em escassez. Discute-se muito, mas raramente se discute bem. A velocidade da internet frequentemente empobrece o pensamento: textos curtos demais para serem rigorosos, posições rápidas demais para serem examinadas.

A Entreparágrafos surge precisamente nesse intervalo.

A revista pretende ser um espaço de escrita, leitura e debate intelectual aberto. Seu propósito é criar um lugar onde ideias possam circular com liberdade, responsabilidade e densidade.

Publicaremos textos que levem o pensamento a sério.

Aberta a pesquisadores, ensaístas, críticos e intelectuais. Não importa se você vem da academia, do jornalismo, ou de qualquer campo que dialogue com os problemas públicos do nosso tempo.

O critério central é simples: relevância intelectual.

A Entreparágrafos não exige que o autor seja professor, pesquisador ou especialista consagrado. A universidade é um espaço hierárquico por natureza, mas a boa ideia não respeita hierarquias. Estudantes, pesquisadores, docentes e autores independentes são igualmente bem-vindos — desde que tragam argumentos sérios, escritos com clareza e honestidade intelectual.

A revista também parte de uma convicção editorial clara: debate público de qualidade exige pluralidade real. Não somos um órgão partidário nem um espaço de militância organizada. Somos um lugar de confronto de ideias. Divergência, quando conduzida com rigor e civilidade, não é um problema a ser evitado; é uma condição necessária para o pensamento crítico.

A revista se compromete, portanto, com alguns princípios simples:

  • Primeiro, rigor intelectual. Textos devem apresentar argumentos, não apenas posições.
  • Segundo, clareza. Escrever bem é uma forma de respeito ao leitor.
  • Terceiro, honestidade intelectual. Discordar é legítimo; distorcer o argumento alheio não é.
  • Quarto, abertura. A revista não pretende representar uma escola de pensamento específica, mas hospedar debates relevantes.

A Entreparágrafos também busca recuperar algo que a vida acadêmica e literária às vezes perde: a ideia de comunidade intelectual. Por isso, a revista pretende existir não apenas como publicação digital, mas como ponto de encontro. Clubes de leitura, círculos de debate e eventos públicos fazem parte da mesma ambição editorial: transformar textos em conversa e conversa em pensamento.

Nenhuma publicação nasce pronta. A Entreparágrafos é um experimento editorial. Como todo experimento, será ajustado ao longo do tempo. O que permanece fixo é a intenção que motivou sua criação: abrir um espaço para ideias que merecem ser escritas, lidas e discutidas.

Entre uma linha e outra, muitas vezes está o argumento mais interessante. É nesse espaço — entreparágrafos — que esta revista pretende habitar.